O foco das notícias sobre tecnologia quase sempre está nos grandes lançamentos ou nos gráficos de ações, mas o que acontece nos bastidores dos grandes ecossistemas digitais?
Caio Montagner, COO da BetaLab, trouxe ao palco do MMA Impact Brasil 2026 uma provocação quase que perturbadora sobre o assunto: os próprios arquitetos do nosso “vício digital” protegem suas famílias das suas criações.
“Quem inventou o botão de like do Facebook não deixa seus filhos usarem as redes sociais. O próprio Steve Jobs restringia o uso do iPad em casa”, destacou o executivo.
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Se os líderes das Big Techs defendem seus filhos dessas ferramentas, por qual razão nós aceitamos o plano gratuito de entrega total da nossa atenção?
A resposta curta está no modelo de negócios. A tecnologia atual está diretamente atrelada a incentivos financeiros que raramente visam o bem coletivo.
Quando o uso ético da inteligência artificial desafia as prioridades de faturamento de uma organização, a ética quase sempre perde.
O palestrante alertou para um fenômeno sutil, mas perigoso: a transformação da governança de IA em um debate puramente técnico. Ao reduzir dilemas morais, vieses algorítmicos e manipulação psicológica a meras métricas de compliance ou linhas de código, as corporações blindam-se do debate humano, blindando o lucro em primeiro lugar.
Mais do que nos prender em bolhas de engajamento, essas companhias parecem operar em um duplo padrão de futuro. Enquanto vendem para a sociedade um plano A baseado em hiperconectividade, automação e dependência digital, seus fundadores investem bilhões de dólares em bunkers, exploração espacial e biotecnologia de ponta. “Por que será que eles estão criando um plano de fuga?”, questionou Montagner.



