A liderança resiliente não se constrói da noite para o dia. Ao analisar a posição consolidada da Dell no mercado brasileiro — líder em categorias que vão de notebooks e PCs a servidores e armazenamento —, Diego Tomasetto Puerta, CEO da empresa no Brasil, relembrou que a trajetória foi pavimentada por um processo orgânico de “muitos erros, alguns acertos, aprendendo com os erros e construindo”, no MMA Impact Brasil 2026.
O CEO da Dell revelou aplicar a IA desde rotinas familiares, como auxiliar na alfabetização da filha, até a gestão estratégica de suas reuniões e dados de saúde dos filhos. A ferramenta tornou-se seu principal escudo contra assimetrias de informação no dia a dia executivo.
“Com a IA, eu não entro mais despreparado para nada. Seja uma reunião de condomínio ou uma discussão de um produto que conheço pouco. Faço minha pesquisa e não sou pego desprevenido”, falou.
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Ao longo de sua história dentro da companhia, Puerta passou por 10 posições distintas. Essa bagagem incluiu passagens fundamentais pelo Marketing e pela vice-presidência e, mesmo assumindo a responsabilidade pela plataforma global de e-commerce sem experiência prévia no setor, o executivo apostou na inovação baseada em dados já naquela época.
“Marketing não é comercial bonito, é uma ciência complexa e fascinante. É impressionante quando você aprende a ler os números como eles informam. E isso te dá elementos para embasar qualquer opinião, mesmo em hierarquias diferentes. Mas aprender a dominar dados leva tempo”, explicou.
Essa visão analítica permitiu à operação brasileira liderar estratégias pioneiras mundiais, como a criação do primeiro canal de YouTube da Dell Global e as vendas via WhatsApp.
Um dos pontos altos do painel foi o redesenho estratégico da Dell. Embora o mercado associe fortemente a marca aos computadores pessoais, que seguem sendo o core da empresa, o segmento de infraestrutura corporativa passou por uma transformação geométrica.
O executivo revelou dados que ilustram a magnitude dessa mudança: há 4 anos, o faturamento global da Dell era de US$ 88 bilhões. No ano passado, a companhia recebeu US$ 65 bilhões em pedidos exclusivamente voltados para servidores de Inteligência Artificial, um nicho de negócios que sequer existia há 3 anos. Atualmente, a Dell posiciona-se como a única detentora de um portfólio de infraestrutura de ponta a ponta, alinhado ao conceito Dell AI Factory.
“É um cenário irreversível”, pontuou Fabiano Destri Lobo, CEO da MMA para América Latina e mediador do painel. “Se tem US$ 65 bilhões em pedidos, todo mundo está se preparando para alguma coisa”.
Lobo observou que o grande diferencial da inteligência artificial contemporânea é a acessibilidade. O que antes exigia cientistas de dados especializados, hoje está ao alcance de qualquer indivíduo com um smartphone.
Contudo, Puerta alertou que incorporar a IA nas corporações vai muito além de fornecer o acesso a ferramentas de chat aos funcionários: exige o redesenho de processos e da cultura organizacional. Ele citou um exemplo prático de mais de 100 cases internos da própria Dell. Em vez de usar robôs para substituir pessoas no suporte técnico, a Dell implementou IA preditiva nas máquinas para identificar falhas antes mesmo de o usuário perceber, corrigindo-as via atualização ou alertando o cliente com antecedência.
Essa otimização automatizada visa devolver o ativo mais precioso do mercado: o tempo. “No fim do dia, talvez a IA nos dê de volta o tempo para focar nas coisas que precisam do humano”, refletiu Puerta.



