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“A IA lê dados, você lê significado”, diz Breno Masi

A tecnologia tem trabalhado para você ou por você? O empreendedor Breno Masi fez uma profunda reflexão sobre o uso da inteligência artificial no mundo corporativo, durante o MMA Impact Brasil 2026. Ao mesmo tempo em que reconhece o momento histórico, definindo a IA como “a tecnologia com maior potencial que já passou no nosso planeta”, ele trouxe um banho de realidade sobre como o mercado vem absorvendo essas ferramentas, alertando para o risco iminente de terceirizarmos nossa própria capacidade de pensar.

O centro da crítica do empresário é a miopia da redução de custos a qualquer preço, especialmente a tendência de demissões em massa mascaradas de modernização. “Hoje, se a sua cabeça é ‘vou usar a IA para substituir alguém’, eu vou te dar uma bronca. Será que você não está pensando errado?”, disparou. Para ele, uma automação desenhada puramente para ganhar escala e cortar despesas cobra seu preço na qualidade e cria gargalos que, no início, são invisíveis.

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O antídoto para essa armadilha, segundo o palestrante, está em entender os limites da máquina. É uma linha clara que separa o processamento frio da percepção empática. “A IA lê dados, você lê significado”, afirmou.

Masi lembrou que, embora o algoritmo cruze padrões complexos em minutos, ele é incapaz de sentir o clima de uma sala, compreender contextos históricos ou criar laços. No fim das contas, negócios ainda são feitos por e para pessoas. “Seu cliente jamais vai comprar da IA, mas vai comprar de você”, garantiu, enfatizando que investidores apostam em quem confiam e os melhores talentos buscam líderes inspiradores, não a empresa com o sistema mais moderno. Até mesmo cases célebres de avatares virtuais, como a Lu do Magalu, só funcionam porque foram sustentados por uma longa “conta corrente de confiança” com o público.

Essa dependência do fator humano se choca com outro ponto crítico: a responsabilidade. Masi foi categórico ao lembrar que a tecnologia falha. “Se a IA não errou com você, vai errar. O fato é, quando acontecer isso, quem é o responsável?”, questionou. A solução adotada em suas próprias empresas é prática. Nenhum processo roda no piloto automático sem que haja um profissional com “nome e sobrenome” acompanhando os relatórios da máquina.

Como lição de casa para os líderes presentes, o empreendedor desenhou um plano de ação imediato para o dia seguinte: mapear o que já está automatizado, estabelecer tutores humanos para auditar esses sistemas e redesenhar os fluxos de trabalho para ampliar o potencial das pessoas, em vez de reduzi-lo a meros comandos de computador.

O empreendedor sintetizou o atual momento de euforia e pressa do mercado com uma máxima precisa e uma reflexão incômoda, mas necessária. “Velocidade é progresso. Velocidade sem direção, é só barulho. Quando você voltar para o escritório, qual decisão você vai parar de delegar para uma máquina e voltar a tomar para si?”, provocou.

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