A inteligência artificial está deixando de ser apenas uma ferramenta de apoio para transformar a maneira como as empresas planejam, executam e otimizam suas estratégias de Mídia. Com a evolução dos modelos agênticos, marcas como Samsung e Stellantis já conseguem automatizar processos, reduzir erros e acelerar a análise de dados, liberando suas equipes para atividades mais estratégicas.
Essa transformação foi tema do painel “Os novos negócios agênticos”, que reuniu Camila Schalch de Andrade, managing director da Accenture Song Latam; Lucia Bittar, diretora de Marketing Samsung Galaxy Experience da Samsung; e Débora Dauanny, diretora de Mídia e Performance da Stellantis, em um painel no MMA Innovate Brasil 2026.
Camila destacou a velocidade dessa mudança e citou dados do IAB que apontam que 58% das empresas esperam uma operação de compra de Mídia agêntica em escala nos próximos 12 meses. Segundo a executiva, o avanço depende não apenas da tecnologia, mas também da confiança.
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“77% dos executivos acreditam que o verdadeiro valor da IA depende da confiança”, afirmou, citando o estudo global Technology Vision, da Accenture. Para a executiva, quanto maior a autonomia dos agentes, mais importante se torna definir os limites entre a atuação humana e a inteligência artificial.
Na Samsung, a adoção da tecnologia começou com um diagnóstico da operação. A companhia mapeou cerca de 45 atividades de mídia, avaliando tempo de execução, riscos e possibilidades de automação. Uma das primeiras mudanças foi automatizar a taxonomia das campanhas, processo que antes era realizado manualmente e que passou a registrar erro zero. Outra conquista foi reduzir para apenas 20 minutos o acesso aos dados das campanhas, o que antes levava mais de um dia, permitindo identificar padrões e antecipar problemas.
“O cuidado com os dados é a base da operação de Mídia”, ressaltou Lucia. A empresa busca substituir uma atuação reativa por um modelo mais preditivo, sem abrir mão da supervisão humana.
“Quanto mais a gente evolui com esses agentes mais elaborados de inteligência artificial, mais importante é a curadoria humana”, destacou.
Na Stellantis, a automação também já apresenta resultados concretos. O programa de digitalização da rede de concessionárias, que reúne centenas de profissionais, passou a automatizar etapas de implementação de campanhas e criação de materiais, reduzindo o tempo dos processos que antes levavam horas para poucos minutos. A transformação contribuiu para ampliar investimentos, geração de leads, conversões e vendas. A companhia também utiliza ferramentas para monitorar, em tempo real, milhares de anúncios e ofertas do mercado automotivo.
“A IA ajuda a desonerar a operação para ter mais gente discutindo novos objetivos e caminhos de negócios”, afirmou Débora. Para ela, o próximo passo será avançar na utilização de agentes autônomos capazes de realizar micro-otimizações em tempo real, desde que existam mecanismos de segurança e governança para evitar decisões equivocadas.
O debate também reforçou que a eficiência da IA não deve ser medida apenas pela redução de custos. Na Samsung, por exemplo, a avaliação considera 3 prioridades: aliviar a sobrecarga das equipes, melhorar a performance e, por fim, reduzir despesas. O engajamento dos profissionais, a qualidade dos dados e a governança aparecem como condições essenciais para ampliar o uso da tecnologia.
A adoção dos modelos agênticos representa uma transformação na gestão de Mídia, ao reduzir a carga operacional das equipes e ampliar o espaço para análises estratégicas, decisões mais assertivas e identificação de novas oportunidades de negócio.



