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Grupo Stefanini deve crescer de 15% a 18% em 2026

Há pouco mais de um ano, o Grupo Stefanini anunciou uma reconfiguração. criação de 7 unidades de negócio veio para consolidar a companhia como “uma consultoria tech global com mindset AI First, que cocria soluções de ponta a ponta com o cliente” e facilitar o entendimento das diversas marcas que existiam sob a marca-mãe.

Nesta entrevista, Guilherme Stefanini, CMO do Grupo Stefanini, CEO da Stefanini Marketing e sócio da W3haus e da Gauge, conta como foi esse primeiro ano após a alteração, fala da expectativa de crescer de 15% a 18% neste ano e mostra exemplos de cases que colocaram em prática o conceito de AI First.

Confira a entrevista completa a seguir:

MARKETING FUTURE TODAY – Como foi este primeiro ano da reconfiguração do Grupo Stefanini em 7 unidades de negócio?
GUILHERME STEFANINI –
Viemos de um período de adaptação, e é um processo que ainda está em andamento, com alguns ajustes pelo caminho. Depois de várias aquisições, tínhamos uma arquitetura de marca muito complexa, com muitas marcas convivendo e uma história que ficava difícil de contar para o cliente. O volume de marcas dificultava a apresentação clara das ofertas, e o time de vendas sentia isso no dia a dia. No fundo, a gente passou a se posicionar como uma consultoria tech global com mindset AI-First, que cocria soluções de ponta a ponta com o cliente. Reorganizamos o grupo em 7 unidades dentro da marca-mãe, Stefanini Group: Technology, Cyber, Data & Analytics, Financial Tech, Operations, Marketing e Manufacturing, formando um grande ecossistema de inovação que entrega resultados relevantes e duradouros aos seus clientes. Lançamos um novo design system para dar consistência visual a cada unidade e reformulamos o site global para contar essa história com clareza, sem excesso de explicação. Também estruturamos uma nova liderança de Marketing, com uma operação global de Marketing, e criamos também a Diretoria Global de Marcas, unificando a área de PR globalmente e com times dedicados por região. Importante destacar que o sucesso do processo de M&A do Grupo Stefanini tornou-se referência acadêmica com o case “Criando uma Estratégia de Ecossistema na Era da AI” pela INSEAD, uma das melhores instituições de negócios do mundo, e até hoje é estudado globalmente. Em 2026, seguimos construindo esse posicionamento e os primeiros resultados já apareceram. O grupo fechou 2025 com receita de R$ 8,4 bilhões e, no primeiro trimestre de 2026, a receita cresceu 20% em relação ao mesmo período do ano anterior. A reorganização de 2025 gerou ganhos de eficiência e preparou o terreno para 2026, em conjunto com o avanço da adoção de inteligência artificial por parte dos clientes, com crescimento da demanda por projetos digitais, modernização de dados e implementação de soluções de IA em escala.

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MFT – Ainda há muitas sinergias e integrações a serem feitas, já que as fusões e aquisições seguem acontecendo?
GS –
Esse é um trabalho contínuo, até porque sempre teremos aquisições. A cultura do grupo sempre teve muita autonomia nas estruturas, e isso tem valor. Ao mesmo tempo, quando o grupo cresce e o mercado passa a exigir uma leitura mais unificada, é preciso alinhar comunicação e experiência do cliente entre as unidades. Quando construímos a nova arquitetura de marca do grupo, consideramos que sempre haverá novas aquisições e, para tanto, hoje temos uma tomada decisão com critérios claros desenhados. Olhamos cada unidade e marca para entender diversos cenários, como onde fazia sentido consolidar a marca, onde era importante ser independente, entre outros casos. Na parte de sinergia, o esforço é fazer com que tudo o que o cliente vê, conte a mesma história em qualquer região do mundo, já que temos serviços em 100 países e operação presencial em mais de 40 deles, sem que isso torne a nossa comunicação distante de clientes e suas culturas.

MFT – Em 2026, foram feitas novas fusões e aquisições? Ainda devem acontecer outras? A meta de investir R$ 2 bilhões até 2027 se mantém?
GS –
O apetite por M&A segue forte, e a reserva de R$ 2 bilhões para aquisições até 2027 está mantida. Isso faz parte da rotina do grupo. A gente está sempre analisando oportunidades que façam sentido para o portfólio e para o que o cliente precisa. O critério não muda. A gente busca movimentos que complementem capacidades dentro das 7 unidades de negócio e que reforcem a agenda AI-First. O foco é complementaridade, não volume. A última aquisição anunciada foi a Escala 24×7, especializada em serviços AWS, fechada em 2025, que somou capacidade em cloud. Para a unidade de Marketing, a última aquisição foi a Ecglobal, cerca de 4 anos atrás, e o desenho atual da unidade foi construído sobre essa base.

MFT – Qual a meta de crescimento para este ano? Qual a proporção de crescimento orgânico x crescimento por aquisições?
GS –
A projeção é crescer entre 15% e 18% em 2026. O grupo sempre combinou as 2 frentes: crescimento orgânico x crescimento por aquisições O crescimento orgânico vem da expansão nas 7 unidades de negócios, com inteligência artificial no centro da oferta e ganho de share em contas estratégicas. As aquisições entram para complementar capacidades em áreas prioritárias. O crescimento no primeiro trimestre de 2026 reflete o avanço da adoção de inteligência artificial por parte dos clientes, com crescimento da demanda por projetos digitais, modernização de dados e implementação de soluções de IA em escala. A companhia também observa a expansão de ofertas de maior valor agregado impulsionadas por IA, além da evolução de modelos operacionais e de negócios orientados por ganhos de produtividade e geração de valor. Outros fatores que contribuem para esse crescimento são a reorganização das unidades de negócios e portfólio da companhia iniciados em 2025, gerando ganhos de eficiência; o desempenho no Brasil e na Europa; além do avanço de empresas do ecossistema, como Topaz e Escala 24×7, fortalecendo a atuação em soluções financeiras e cloud.

MFT – Para a Stefanini Marketing, quais foram as grandes realizações dos últimos meses? Como essa alteração no organograma da empresa foi recebida internamente?
GS –
Marketing é uma unidade que sente rápido quando a comunicação com o negócio funciona bem, e a lição que mais aprendemos em 2025 foi que a qualidade da liderança e a agilidade na tomada de decisão pesam mais do que qualquer framework. Internamente, a mudança foi recebida como um passo natural. A estrutura ficou mais integrada, com maior agilidade na tomada de decisão e orientação para resultado. Na prática, a mudança foi sair de uma marca guarda-chuva única, a Haus, para a Stefanini Marketing, deixando cada marca ganhar vida própria no seu território: a W3haus em criação, a Gauge em growth e martech, e a Ecglobal, em pesquisa. O trabalho se organizou em 3 frentes. A primeira foi consolidar o ecossistema da unidade em torno de 3 áreas: pesquisa e inteligência de consumidor, crescimento e marca. A segunda foi montar um time de liderança que deu mais agilidade para decidir. A terceira, e talvez a mais importante, foi trazer inteligência artificial para dentro da operação, do research à produção criativa. A inteligência artificial hoje corre por dentro de cada empresa da unidade, não é uma frente isolada. Chamamos essa camada de SAI, e ela aparece em cada etapa da operação. No CRM, a SAI Creative personaliza a comunicação a partir de dado comportamental, enquanto outra frente cuida da orquestração de dados e do disparo individualizado para milhões de clientes ao mesmo tempo, em e-mail, SMS e mensagens. Em martech, automatiza todo o tagueamento sem precisar de intervenção humana, detecta e trata bug sozinho nas operações de sustentação, e o SAI App deixa o desenvolvimento no-code, orientado direto ao negócio. No produto digital, conecta a criação de tela direto à geração de código, e o CRO Index automatiza a análise de performance e a priorização do que precisa mudar primeiro. E, na W3haus, quem cumpre esse papel é a Wav3, conectando repertório histórico, dado interno e social listening para tornar cada decisão criativa mais rapidamente e mais bem fundamentada. Não é ferramenta isolada num time, é infraestrutura que atravessa a unidade inteira. Os últimos meses trouxeram clientes novos como Akzo Nobel, Wella, Azul, Casas Bahia, Adidas e Seara, com crescimento de 25% no número de clientes ano contra ano, além de prêmios em Agile Trends, MMA, Abradi, Salão ARP e Effie. Para 2026, o foco segue muito em transformar a experiência do cliente dos nossos clientes. Isso passa por ajudar nossos clientes a integrar capacidades que hoje estão fragmentadas: conhecer o cliente, construir marca, montar growth systems e melhorar a experiência de ponta a ponta, para aumentar o LTV do negócio dele.

MFT – Quais os diferenciais das empresas que englobam essa unidade de negócio?
GS –
O desenho da unidade reúne capacidades complementares que se conectam ao longo da jornada do cliente. Temos força em criação, com atuação em construção de marca, conteúdo e campanha com a nossa agência criativa, a W3haus. Também atuamos em growth systems com martech e dados, cobrindo CRM, loyalty e as plataformas que conectam marca e venda, com a Gauge. Temos um instituto de pesquisa próprio, com painéis proprietários e frentes de investigação aceleradas por inteligência artificial, com a Ecglobal. E temos operação em grandes contas de comunicação e ativação. Cada empresa da unidade cobre um pedaço dessa jornada, e o valor está exatamente no encaixe entre essas frentes.

MFT – Especificamente para o Marketing, como o conceito AI-First é aplicado e o que isso trouxe de benefícios para a operação?
GS –
Os modelos de inteligência artificial já estão amplamente disponíveis, e o que trará diferenciação é como eles serão aplicados nas operações e com dados proprietários e públicos que permitam atender melhor o cliente. O que gera nossa vantagem competitiva é como aplicamos isso ao contexto do cliente, e essa combinação de criação, dados e pesquisa é o que faz diferença. Um exemplo é o Wav3, sistema proprietário de inteligência artificial da W3haus, que reúne dados internos, social listening e repertório histórico da agência num só lugar. Usamos ele agora na campanha de Quem Disse, Berenice com “Friends”: em vez de um social listening pontual, escutamos a fundo a comunidade de fãs para construir uma ativação com café, sofá e ônibus da série, além de conteúdo cheio de referências para quem acompanha o programa. Na Ecglobal, a mesma lógica de research aparece no case da Hellmann’s com “Stranger Things”. Fizemos uma pesquisa qualitativa para entender como os fãs da série consomem conteúdo, quais são os rituais deles, os gatilhos emocionais e o que molda os momentos de consumo. Os resultados falam por si: crescimento de 2 digitos em valor para a marca. O AI First também aparece em martech e em criativo, na Gauge. Em martech, o case é o da Suvinil: reestruturamos toda a operação de CRM em cima do Salesforce Marketing Cloud, colocamos IA no discovery e nas jornadas, até as peças de comunicação passaram a ser construídas com apoio de inteligência artificial, ganhando eficiência no projeto inteiro. No criativo, o case é o da Getnet: foi a primeira campanha do grupo produzida inteiramente com IA, e a mudança gerou tanto reconhecimento em prêmio quanto resultado de negócio, aumento os acessos para o site em quase 15 vezes com o lançamento. É assim que o AI First se materializa: não é um discurso solto, é caso a caso, cliente a cliente.

MFT – Do ponto de vista de um CMO global, como você vê o uso da IA no Brasil no Marketing em comparação aos outros países?
GS –
Em geral, o Brasil não é considerado internacionalmente como um país tecnológico. Quando você conversa com um cliente global, ele não pensa em Brasil quando o tema é tecnologia. Mas essa é uma questão de imagem e de posicionamento do país, não de capacidade real. A qualidade do trabalho brasileiro em serviços digitais é excepcional, e em áreas específicas, como serviços financeiros, o Brasil está bem à frente do que se vê em muitos mercados desenvolvidos. No uso de inteligência artificial aplicada a Marketing, o Brasil tem um ativo relevante, que é a capacidade criativa combinada com repertório para aplicar tecnologia em contexto. A gente não vai competir com os Estados Unidos em capital para infraestrutura ou em treinamento de grandes modelos, isso vai ficar com quem tem escala e capacidade significativa de investimento. Mas na camada de aplicação, que é onde o resultado de negócio efetivamente aparece, o Brasil tem uma capacidade criativa que, bem aproveitada, gera diferencial.

O que mais me preocupa é que boa parte das empresas ainda trata IA como frentes isoladas de produtividade dentro de atividades pontuais, em vez de repensar como toda a operação poderia funcionar de um jeito novo com IA no centro. O desafio das marcas daqui para a frente vai além de adotar IA. O consumidor está exposto a um volume cada vez maior de conteúdo gerado por máquina, e isso muda o que sustenta a confiança em uma marca. Presença e repetição de mensagem valem menos do que a coerência entre o que a marca diz e o que ela entrega em cada ponto da jornada. As marcas que continuarem relevantes serão as que integrarem criatividade, dados e tecnologia como um sistema só, e não como frentes isoladas. Criatividade para gerar significado, dados para dar direção e tecnologia para viabilizar a execução em escala. É essa integração que a unidade Marketing vem construindo, e é o que orienta a nossa leitura do futuro do setor.

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