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“Tecnologia deve ampliar inteligência humana”, diz Gurman Hundal, da MiQ

A inteligência artificial como substituta da humana segue sendo realidade apenas nos roteiros de ficção científica. Entre especialistas, a ideia mais defendida é a de que nenhuma tecnologia pode substituir os saberes humanos e a IA chegou para somar, tirando o trabalho repetitivo da lista de afazeres dos profissionais de carne e osso. “A automação e a inteligência artificial são motores extraordinários, mas não possuem intuição, empatia nem visão de negócios. Na MiQ, defendemos firmemente que a verdadeira inovação só acontece quando a tecnologia de ponta e a expertise humana trabalham em total sinergia. A tecnologia deve ampliar a inteligência humana, nunca substituí-la”, explicou Gurman Hundal, Fundador e CEO Global da MiQ, em recente visita ao Brasil.

Segundo o executivo, o papel dos estrategistas e traders da MiQ mudou para melhor com as soluções de inteligência artificial. “Ao liberá-los do trabalho operacional repetitivo e da análise manual de planilhas, a IA permite que eles se concentrem naquilo que é verdadeiramente insubstituível: a interpretação cultural, o posicionamento estratégico de longo prazo, a criatividade e a construção de conexões autênticas entre marcas e pessoas. A máquina processa dados em uma velocidade sobre-humana, mas o significado, o contexto de negócios e o critério ético continuam sendo — e sempre serão — essencialmente humanos”, disse.

A MiQ tem expandido sua atuação na América Latina e já garantiu maior presença no mercado brasileiro com a aquisição da Adsmovil. Hundal esteve no país, acompanhado por Eric Tourtel, CEO para América Latina, para ver de perto a operação.

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“A integração com a Adsmovil representa uma oportunidade muito importante para acelerar nossa capacidade regional e fortalecer nossa proposta de valor na América Latina. A Adsmovil construiu um conhecimento muito profundo do consumidor latino-americano, especialmente em audiências multiculturais, mobile e soluções baseadas em dados. Ao combinar essa experiência com a capacidade tecnológica, a inteligência programática e a escala global da MiQ, podemos oferecer soluções muito mais robustas para marcas e agências”, disse Tourtel.

A MiQ desenvolveu o Sigma, um ecossistema unificado que conecta dados e os transforma em insights práticos integrados à execução. “O mercado programático cresceu de forma acelerada, mas trouxe consigo um efeito colateral complexo: a fragmentação extrema. Nos últimos anos, a indústria se acostumou a operar em silos, nos quais os dados permaneciam em um lugar, a inteligência em outro e a ativação em múltiplos canais desconectados. Isso gerava ineficiências, perda de receita para as marcas e uma total falta de visibilidade sobre a jornada real do consumidor. Criamos o Sigma justamente para resolver essa dor estrutural”, falou Hundal.

Para combater essa fragmentação, cada vez mais são criadas soluções tecnológicas. “No curto prazo, o mercado continuará enfrentando pressões de fragmentação. O fim dos cookies de terceiros, a proliferação de novos walled gardens, o crescimento de novas plataformas de streaming e os ecossistemas proprietários de Retail Media criam, naturalmente, mais silos de dados. Para as marcas, administrar essa complexidade de forma independente tornou-se um desafio quase impossível. No entanto, é justamente essa fragmentação que está forçando o mercado a buscar integração por meio de parceiros tecnológicos agnósticos. O ecossistema avança em direção a uma integração inteligente na camada de tecnologia e análise. É exatamente aí que a MiQ se posiciona. O mercado pode se fragmentar em canais e inventários, mas as marcas exigem — e precisam — de uma visão unificada para atribuição, mensuração e controle de frequência. Quem conseguir transformar essa fragmentação em decisões acionáveis e transparentes dominará a próxima era da publicidade digital”, contou o fundador da MiQ.

Mercado local
Para Hundal, a maneira como as marcas se conectam com suas audiências estão sendo redefinidas pela CTV e pelo Retail Media. Se em mercados consolidados, como Estados Unidos e Europa, essa já é uma realidade, por aqui ainda há muito espaço para o crescimento. “Nos Estados Unidos e na Europa, vemos uma consolidação da infraestrutura. Já na América Latina — e em mercados-chave como Brasil e México — o cenário é de expansão acelerada e extremamente dinâmica, impulsionada pela sofisticação digital e pelo perfil altamente conectado dos consumidores locais. O verdadeiro potencial de crescimento não está em observar Retail Media e CTV de forma isolada, mas na interseção entre ambos. Quando conectamos os ricos dados de conversão e comportamento de compra do Retail Media ao impacto emocional e ao alcance da tela grande da CTV, criamos o ecossistema perfeito de mensuração em circuito fechado”, falou o executivo.

“Os Estados Unidos continuam liderando em escala e sofisticação tanto em CTV quanto em Retail Media, mas a América Latina está avançando muito mais rápido do que muitos imaginam. A diferença hoje já não está na visão estratégica, mas principalmente na velocidade de consolidação e na infraestrutura”, complementou o líder da martech na América Latina. “Em Advanced TV, por exemplo, observamos um crescimento muito forte impulsionado pelo aumento do consumo de streaming e pela expansão do inventário premium conectado. As audiências latino-americanas adotaram rapidamente novas formas de consumo de conteúdo, e isso está obrigando as marcas a repensarem como constroem alcance e frequência. No Retail Media acontece algo semelhante. Cada vez mais varejistas compreendem o enorme valor estratégico de seus dados e de seus ecossistemas de audiência. Estamos vendo uma evolução clara de modelos mais táticos para propostas muito mais sofisticadas e orientadas ao marketing de funil completo”, afirmou Tourtel.

O investimento da MiQ na região não é sem conhecimento de mercado. “O Brasil é hoje um dos mercados mais dinâmicos e sofisticados da América Latina do ponto de vista digital. Ele reúne uma combinação muito poderosa: escala, consumidores altamente conectados, rápida adoção tecnológica e uma evolução acelerada de ecossistemas como streaming, CTV e Retail Media. Além disso, marcas e agências brasileiras estão cada vez mais focadas em performance, mensuração e eficiência, o que cria um ambiente ideal para soluções programáticas avançadas e inteligência aplicada ao marketing”, afirmou Tourtel.

Entre os desafios que precisarão ser encarados por Tourtel à frente da região estão infraestrutura de dados, mensuração e maturidade digital. “Na MiQ, acreditamos que o desenvolvimento da região passa pela simplificação da complexidade tecnológica e pela aproximação de soluções mais inteligentes para marcas e agências. Nosso foco está em ajudar a conectar dados, audiências e ativação de forma mais eficiente, gerando insights acionáveis e uma mensuração mais transparente. A América Latina tem tudo para se tornar um dos ecossistemas publicitários mais inovadores do mundo nos próximos anos”, falou.

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