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“Marcas precisam construir com a periferia”, diz Emília Rabello, da NÓS

Em 14 anos de atuação, a NÓS (Novo Outdoor Social) já atendeu cerca de 480 clientes entre agências e anunciantes, com a realização de mais de 5 mil projetos de DOOH. As telas representam cerca de 10% da receita anual da empresa, que também atua com pesquisas.

Nesta entrevista, Emília Rabello, fundadora e sócia da NÓS, fala da importância das comunidades que representam um mercado consumidor estimado em R$ 167 bilhões ao ano.  

MARKETING FUTURE TODAY – Qual a importância de ter um inventário de DOOH nas comunidades?
EMÍLIA RABELLO –
Essas telas permitem impactar e dar apoio aos consumidores no momento exato da decisão de compra. Elas abrem caminho para a comunicação das marcas com um público que consome muito e tem poder de compra. Hoje, esse mercado consumidor está estimado em R$ 167 bilhões ao ano. Elas são extremamente relevantes porque forma um ativo que recomenda o consumo das marcas.

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MFT – Em quantas comunidades a Nós está presente com DOOH? Em quais cidades?
ER –
A NÓS (Novo Outdoor Social) está presente nos 15 mercados mais relevantes do Brasil, os mesmos que compõem a métrica de audiência nacional da televisão. É uma atuação ativa em mercados como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, Porto Alegre, Recife, Salvador, Manaus e Campinas, entre outros.

MFT – Qual o tamanho do inventário de DOOH? Nestes anos, quantas campanhas já foram executadas?
ER –
Hoje DOOHse consolidou como um modelo de mídia nas favelas e territórios periféricos brasileiros. Em 14 anos de atuação no mercado, a NÓS já atendeu cerca de 480 clientes entre agências e anunciantes, com mais de 5 mil projetos realizados em todo o Brasil.

MFT – Qual o tamanho da receita que vem da mídia exterior? Se não puder falar números absolutos, tem como dar uma porcentagem?
ER –
Essa plataforma responde hoje por cerca de 10% da nossa receita anual. E oferecemos às marcas um potencial de exibição de até 3 bilhões de impactos mensais em periferias de todo o Brasil.

MFT – Pode nos contar um case que se destaque entre as campanhas que já passaram pelas telas da NÓS?
ER –
Um destaque é o Projeto Pinturas de Rua Copa do Mundo 2026, da Coca-Cola, que levou a energia e a paixão pelo futebol para as comunidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. A iniciativa integrou ações de Street Art e DOOH por meio de 76 telas em estabelecimentos comercias, conectando a Coca-Cola às celebrações da Copa de forma autêntica e marcante. Houve também um envolvimento muito grande da comunidade, com mais de 150 pessoas participando dessas intervenções em todas as ruas contempladas, entre artistas locais, voluntários e moradores das favelas, que juntos transformaram os espaços em grandes telas a céu aberto, com pinturas temáticas inspiradas na Copa do Mundo. Como destaque desse projeto, a Quadra 22, localizada no Gama, no Distrito Federal, foi vencedora do concurso de rua mais bem decorada e ganhou da prefeitura local um kit exclusivo para acompanhar os jogos da Copa, com direito a telão e sistema de som.

MFT – Além das telas digitais, a NÓS também tem mídia exterior analógica? Quais formatos? Como são integrados com as telas?
ER –
Oferecemos um complexo de comunicação, uma plataforma completa de mídia e publicidade e conectamos alcance massivo com inteligência de dados, presença direta no ponto de venda e uma rede digital out-of-home programática (pDOOH).

MFT – Como a NÓS integra o trabalho de pesquisas e inteligência com a mídia exterior?
ER –
As pesquisas orientam as marcas em quais dos 3 pilares atuarem: preço, distribuição ou recomendação. Elas têm a função de mapear hábitos e percepção das marcas nas comunidades do país, apoiando estratégias de Marketing com dados sobre várias categorias de consumo. É uma ferramenta que cobre 100% das maiores favelas e comunidades urbanas do Brasil e que analisa detalhadamente como esses consumidores consomem e percebem as marcas. Nossas pesquisas auxiliam as marcas a aumentarem a eficiência das suas campanhas ao indicar quais produtos têm mais aderência em diferentes regiões.

MFT – Na sua opinião, o que ainda falta para as marcas entenderem a potência das favelas ou as marcas já reconhecem o tamanho e a importância deste mercado?
ER –
Falta entenderem que a periferia não é um nicho, mas sim um território que concentra milhões de brasileiros que movimentam uma economia de enorme relevância que impulsiona o comércio local, cria tendências culturais e influencia hábitos de consumo muito além dos seus limites geográficos. O futuro do consumo brasileiro não será decidido apenas nos grandes centros comerciais, mas também construído nas ruas dos bairros populares, nos pequenos negócios das comunidades e nos empreendedores que movimentam diariamente a economia real do Brasil. As marcas precisam deixar de falar sobre a periferia e passarem rapidamente a construir com a periferia, garantindo assim relevância e confiança e dessa forma construindo vantagem competitiva no mercado.

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