A iD\TBWA tem investido em uma área de Recursos Humanos estratégica, desde 2024, com a cultura, o desenvolvimento e a diversidade como pilares fundamentais. Para garantir um crescimento sustentável, que começa pelas pessoas, a agência criou os programas iGrow\Tecer e iDversa\Létra. Nesta entrevista, Camila Costa, CEO e sócia da iD\TBWA, conta como está sendo essa experiência e os resultados que já aparecem. Confira!
Marketing Future Today – Quais foram as mudanças percebidas na agência após a criação dos programas iGrow\Tecer e iDversa\Létra?
Camila Costa – Desde que estruturamos o iGrow\Tecer e o iDversa\Létra, houve uma transformação muito perceptível, de comportamento. Os programas ajudaram a consolidar uma visão que já vínhamos cultivando: desenvolvimento humano e diversidade fazem parte do mesmo movimento cultural dentro da iD\TBWA. Quando você desenvolve líderes mais conscientes, ao mesmo tempo, cria um ambiente verdadeiramente plural, tudo muda, não só as decisões, conversas, relações, mas, inevitavelmente, os resultados. Hoje temos lideranças mais preparadas para equilibrar performance com cuidado, com maior intencionalidade na escuta e mais responsabilidade no impacto que geram. E, do ponto de vista de representatividade, ainda tem espaço para evoluir, mas já atingimos marcos importantes antes do prazo que estabelecemos: alcançamos 40% de pessoas pretas e pardas na agência e ampliamos em 5 vezes a população trans ao longo de um ano. Isso não acontece por inércia, é reflexo direto de programas e políticas que criam consciência, estrutura e engajamento. Essas mudanças fortaleceram um ambiente mais seguro, mais colaborativo e mais conectado ao que acreditamos: uma cultura viva, que evolui com as pessoas e que sustenta a inovação e o crescimento de negócio.
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MFT – Quais indicadores vocês utilizam para medir o impacto dos programas de diversidade e inclusão, tanto internamente quanto nos resultados para clientes?
CC – Para medir o impacto dos nossos programas de diversidade e inclusão, trabalhamos com indicadores que conectam cultura, pessoas e negócio. Do ponto de vista interno, monitoramos representatividade, e 2025 marcou um avanço importante: atingimos antes do previsto a meta de 40% de profissionais pretos e pardos e ampliamos em 5 vezes a população trans. Também acompanhamos métricas de engajamento, segurança psicológica e evolução da liderança, que se refletem em comportamentos mais conscientes, como a adoção de feedback contínuo e o acionamento estratégico do RH. No impacto para clientes, observamos como um time mais diverso melhora a qualidade das entregas: campanhas mais relevantes culturalmente, redução de vieses e maior eficiência dos squads. Além disso, nossas metas anuais de diversidade estão integradas aos indicadores globais da TBWA e conectadas à performance. Para 2026, avançamos com o uso de dados e tecnologia para análises preditivas que nos ajudem a entender, com ainda mais precisão, como cultura e diversidade impulsionam produtividade, inovação e crescimento sustentável. Para nós, diversidade não é paralelo, é parte central da estratégia e da nossa capacidade de gerar valor real para as marcas.
Para nós, diversidade não é paralelo, é parte central da estratégia e da nossa capacidade de gerar valor real para as marcas.
MFT – De que forma a diversidade dentro da equipe influencia o processo criativo e a qualidade das entregas, especialmente em campanhas que dialogam com públicos plurais?
CC – Criatividade é repertório, e repertório nasce das origens, histórias, vivências e perspectivas que cada pessoa carrega. Quando olhamos para a evolução dos nossos times, especialmente com o aumento da representatividade, percebemos imediatamente o impacto na forma como construímos ideias, narrativas e soluções. A diversidade permite que as equipes enxerguem nuances culturais que não apareceriam em uma sala homogênea. Ela amplia as perguntas, desafia premissas, reduz vieses e, principalmente, torna as histórias mais verdadeiras. Isso é decisivo em um mercado que precisa dialogar com consumidores plurais, em um país tão diverso quanto o Brasil. Além disso, equipes diversas tendem a ser mais colaborativas, mais questionadoras e mais abertas à experimentação: 3 pilares essenciais para uma agência que trabalha com dados, cultura e inovação. O resultado aparece na qualidade das campanhas, na relevância cultural e na eficiência das estratégias que construímos para as marcas.
MFT – No dia a dia, como os programas iGrow\Tecer e iDversa\Létra foram recebidos pelos colaboradores? Você pode citar algum caso que chamou sua atenção?
CC – A recepção, participação e engajamento foram extremamente positivos porque os programas não chegaram como iniciativas isoladas, mas como parte de um movimento consistente de evolução cultural. O iDversa\Létra, por exemplo, trouxe conversas profundas sobre identidade, raça, privilégio e responsabilidade. Conversas que tocaram as pessoas de maneira muito humana. Tivemos relatos de colaboradores dizendo que, pela primeira vez, se sentiram realmente vistos dentro de um ambiente de trabalho. Outros mencionaram que passaram a enxergar suas próprias trajetórias com mais consciência e orgulho. Já o iGrow\Tecer criou um espaço raro no ambiente corporativo: um lugar em que lideranças de todos os níveis puderam se vulnerabilizar, compartilhar desafios reais e construir uma linguagem comum sobre gestão, cuidado e cultura. Isso ficou muito evidente quando, logo após o ciclo, tivemos 100% de adesão ao processo de avaliação 360°, algo que simboliza o entendimento de que desenvolvimento não é etapa, é jornada. Esses movimentos mostram que as pessoas não só receberam os programas, mas se apropriaram deles. Isso é o que realmente transforma cultura.
MFT – Na prática, como funciona cada um dos projetos e qual foi a aderência do time até agora?
CC – O iGrow\Tecer é um programa desenhado para fortalecer nossa rede de liderança, da supervisão ao C-Level. Ele funciona em ciclos temáticos, com encontros presenciais, rodas de diálogo, exercícios práticos e espaços de coautoria. No primeiro ciclo, trabalhamos Fundamentos da Liderança e Liderança Inclusiva, conteúdos que ajudaram a consolidar uma base comum de entendimento sobre o que significa liderar dentro da iD\, equilibrando performance e propósito. A aderência foi total, e vimos um salto significativo na maturidade das conversas, no acionamento proativo do RH e no rigor das decisões relacionadas a pessoas. Já o iDversa\Létra é aberto a todas as pessoas colaboradoras e estruturado como uma jornada contínua de letramento e ampliação de repertório. Começamos pelo recorte racial porque entendemos que esse é um dos pilares estruturantes da desigualdade no Brasil. Os encontros, conduzidos por especialistas como Egnalda Côrtes, fundadora da Côrtes Companhia e embaixadora da ONU Mulheres, e PH Côrtes, criador do projeto Meus Heróis Negros Brasileiros e embaixador da UNICEF e WWF Brasil, foram dinâmicos, sensíveis e profundamente transformadores. A presença de artistas, educadores, pensadores e executivos que inspiram nas temáticas abordadas ampliou ainda mais as lentes e sensibilidades do time. A adesão ultrapassou expectativas, e a agência inteira participou de algum formato da jornada. Em 2026, damos continuidade a ambos, com novos temas e a criação do iDversa\Comitê, que fortalece ainda mais a participação das pessoas na construção da cultura.



